primeira queixa oficial no livro de reclamações de mãe

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A M. amuou comigo! E escreveu-me uma carta… bem detalhada!!

Temos conversado muito sobre limites e sobre como resolver conflitos ou desentendimentos. E já lhe disse diversas vezes que quando começa a chorar desalmadamente não consigo conversar com ela nem perceber o que pretende. E de forma muito explícita, disse-lhe o quanto isso me incomoda e tenho dificuldade em aceder aos seus pedidos depois. Portanto, é um limite para mim. E ela sabe… Mas tem três anos, e com sono à mistura, a coisa não correu bem. E ela acabou muito zangada comigo. Já houve tempos em que tentar bater ou chamar “má”, “feia”, etc era a primeira reação dela. Quando lhe disse que compreendia a sua frustração por lhe ter dito não, virou costas e foi para o escritório. Muito bem! Dei-lhe tempo e espaço até que quisesse conversar.

E fui fazer o jantar. Na cozinha começo a ouvi-la a praguejar, a falar sozinha, palavra a palavra. Primeiro pensamento (típico de terapeuta da fala!!): “queres lá ver que a miúda já me sabe fazer segmentação frásica com esta idade?!!”.

Estava a escrever-me uma carta! Onde dizia que estava muito zangada com a mamã! Que a mamã foi má e era muito feia. Que não queria mais falar com a mamã!

“E agora vou dar esta carta à mamã!”

Mas faltou-lhe coragem… por isso mandou a irmã! Só que a irmã (no alto dos seus dois anos) não foi capaz de transmitir devidamente o que ela queria… e começou a chorar agarrada a mim… “eu goste mamã!”.

Eis que veio a M., de carta em riste! Baixei-me e perguntei de que se tratava. “É uma carta, mamã!” “Ai sim?! E o que diz?”… atrapalhou-se!! “Que a mamã é linda!… Espera, vou escrever outra vez!”…

E pronto, recebi a primeira queixa oficial no livro de reclamações da mãe!! Que ficou resolvida com um abraço, muitos “gosto de ti” e uma conversa sobre como poderíamos ter resolvido “o problema”.

E por aí? Muitas queixas e reclamações?!

Daniela

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partilhar ou não partilhar, eis a questão!

Muito se fala sobre isto por aí! Fica a minha opinião sobre o assunto…

Estamos sempre a ouvir alguém a dizer aos miúdos que têm de partilhar. Se acho importante? Muito. Mas não têm de partilhar tudo. Há brinquedos que são só de uma ou de outra ou de quem os escolheu primeiro. Depois se emprestam ou não é com elas, com saber pedir, convencer ou esperar. Há dias que há grandes lutas nesta casa. Faz parte. Agora, se têm de partilhar um brinquedo quando estão envolvidas numa brincadeira, a imaginar uma coisa qualquer, honestamente não, nem é justo!

Não sei muito bem por que toda a gente acha que as crianças têm de partilhar tudo, os seus pequenos tesouros e são julgados muitas vezes por isso, se nós como adultos não o fazemos. Ora, imaginemos que um de nós vai a um espaço público, como a uma esplanada ou um café, e pede um gelado, um sumo ou algo para comer. Pega no telemóvel para espreitar o facebook. E entretanto chega um estranho que decide interromper o nosso momento de sossego e pede para usar o nosso telemóvel e comer um bocado da nossa comida. Como reagiriam? Com incómodo, no mínimo!

Quantas vezes em parques, festas ou até reuniões familiares os miúdos não são acusados de não saberem partilhar?!

É justo? Será assim a melhor forma de ensinar a generosidade?

Na minha opinião, a partilha deve ser uma atitude familiar e uma escolha. Do dia-a-dia. Podemos mostrar que existe essa opção e que o resultado da partilha até pode ser proveitoso.

A título de exemplo, aqui há tempos tínhamos cá em casa muitos mirtilos deliciosos. E juntas decidimos partilhar com algumas pessoas. Claro que também foram alguns para os amiguinhos da escola das meninas

A Matilde já entende mais este conceito. E ela é assim. Sempre que gosta de algo quer mostrar ou levar para a escola para “o meu amigos”!!

Acredito que o caminho será mais ou menos por aqui!

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Daniela

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obrigada!

Tinha um post sobre as miúdas e este início do ano letivo para publicar. Mas hoje apetece-me dizer obrigada… obrigada pelo carinho enorme dos últimos dias, pelas mensagens de incentivo, pela forma maravilhosa como o Piratinha dos Sons tem sido recebido nas escolas e nas reuniões de pais.

Fico de coração cheio quando oiço coisas como “estava mesmo à espera que a minha filha tivesse três anos para fazer a inscrição. Gosto imenso do que fazem!” ou quando me contam que já conhecem porque o sobrinho, a afilhada, o filho de um amigo, … fez Piratinha e delirava! Mais ainda quando as pessoas nos dizem que o projeto teve um impacto positivo no desenvolvimento dos filhos e na aprendizagem da leitura e escrita. É isto! Foi para chegar aqui que criámos o Piratinha!

Temos aprendido tanto com os vossos filhos! Tem sido possível fazer um trabalho com continuidade graças à vossa confiança e incentivo. De outra forma não conseguiríamos evoluir tanto. Por isso, respondendo mais uma vez à pergunta que mais oiço por estes dias: não! O Piratinha não continua no 2º ano do 1º ciclo. Como sabem, existe um fundamento científico por trás de todas estas aventuras piratas. E o Piratinha foi criado especificamente para promover competências de consciência fonológica, ou seja, competências de identificação e manipulação dos sons que compõem as palavras. O nosso principal objetivo é facilitar a aprendizagem da leitura e escrita através do treino explícito de consciência fonológica. Preparar o antes e acompanhar o 1º ano. A partir daqui a dinâmica de trabalho já teria de ser outra e numa perspetiva de intervenção. O projeto Piratinha dos Sons tem como base a prevenção!

E antes de começar mais um ano, porque não recordar?!… (um bocadinho)

Daniela

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férias com crianças… são descanso?

Ora aí está uma questão de resposta algo pessoal. Primeiro porque a noção de descanso é muito relativa. Se há quem goste de ficar estendido ao sol a dormir ou a ler, há quem goste de fazer caminhadas, descobrir cidades, etc… mas acho que concordamos que, quando se tem filhos, descansar significa muitas vezes fazer um programa sem grandes alaridos ou birras constantes!!

Aqui em casa, para já, as férias têm sido sempre com as miúdas. E este ano foram algo mais tranquilas do que em anos anteriores. Elas já estão crescidas, menos dependentes de nós e brincam muito uma com a outra. Por isso sim… conseguimos descansar! Claro que de olho sempre aberto. Basicamente, procuramos reunir condições para que elas estejam confortáveis. Mantemos alguma rotina (ainda que não seja necessariamente a rotina de casa!), tentamos que comam minimamente bem, muita água (miúdos ligeiramente desidratados tornam-se irritantes), e disponibilidade. Disponibilidade para brincar! Para estar. Afinal é o nosso tempo exclusivo de família!

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Não adianta tentar fazer programas alegadamente muito bons se depois elas ficam demasiado cansadas ou não lhes interessa.

Resulta sempre em birras e toda a gente aborrecida. Não! Por exemplo, eu gosto de praia. E nas primeiras férias queria ter ido mais vezes à praia. Mas elas adoram piscina e é onde estão felizes. Então seja! Que passem o dia enfiadas na água! Tanto melhor! Tudo calmo!

Saídas noturnas? Por aqui não há grandes possibilidades de programas muito complexos. Elas ficam cheias de sono e adormecem. Mas não me faz muita diferença. Contingências de ter filhas pequenas!

Praia… este ano gostei! Cá no norte ficamos quase em frente à praia. Sem andar de carro, sem o drama de sentar nas cadeiras, etc. Acabou por ser muito bom termos tido umas segundas férias perto de casa, onde a família pôde estar connosco em alguns dias e elas passaram momentos divertidos num contexto diferente com os primos, os tios e o avô.

O que mais gostei das férias foram sem dúvida os momentos sem Nãos! Sem não vás para aí, não faças isso, …

Na minha opinião a principal vantagem das férias é essa. Reunir condições para que elas possam brincar livremente e em segurança, sem tantos condicionalismos que o dia-a-dia nos impõe. Sem a pressão que muitas vezes acontece pela necessidade de cumprir horários e compromissos!

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Daniela

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oficina: um pirata, um jogo

Com o fim do ano letivo, as histórias do Piratinha terminam.

No mês de Julho, as dinâmicas são diferentes mas igualmente divertidas. Desde olimpíadas dos sons, a pequenos teatros encenados pelos Piratinhas, às oficinas do jogo.

O Piratinha é sinónimo de chão! Mas, nas oficinas do jogo, desafiamos os piratas a irem para as mesas para a construção de um jogo da glória.

E criança que é criança gosta de jogos. Pirata que é pirata gosta de jogos com sons! Mais ainda se o jogo for um mapa, a meta um tesouro e o jogo for para levar para casa!

Um jogo da glória de sons com imagens, personalizado por eles (e os desenhos ficaram super giros…temos piratas artistas!!) com regras à Piratinha. Pois é! Não ganha o jogo quem chega primeiro ao tesouro! Ganha quem chegar ao tesouro, tendo acertado mais vezes nas palavras com o som definido nas regras!

Depois de cortes e recortes, colagens e desenhos, os piratinhas levaram o jogo para casa. Todos eufóricos por poderem jogar aos piratas com os papás, manos, primos, avós, ….um jogo para toda a família!

Mais uma experiência positiva:)

Desafio cumprido piratas!!

Sónia e Daniela

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o que mais gostei…

Uma coisa gira que fazemos muitas vezes cá em casa é conversar sobre o dia (mas sem montanhas de perguntas e perguntas!).

Há já algum tempo atrás comecei por explicar que íamos fazer um jogo onde pensamos no que gostamos mais no dia e o que gostamos menos, e porquê!

No início, a Matilde quase sempre imitava o que eu dizia… mas com o tempo foi percebendo e já é capaz de pensar sozinha nos acontecimentos do dia e justificar. Já aconteceu diversas vezes ser ela a iniciar a conversa com um “vamos dizer que gostaste muito e que num gostaste!” (não escrevi errado, é assim que ela diz!).

E é super interessante perceber o que ela valorizou no dia e o que não gostou. Além de ser uma oportunidade de expansão linguística incrível, é um excelente momento de partilha, não só de acontecimentos mas também de emoções. Pois todos falamos sobre o nosso dia.  E muitas vezes as conversas terminam connosco a conversar sobre soluções para resolver algum conflito ou como ultrapassar algum stress.

Experimentem fazer isso alguns dias aí em casa. Sentem-se no chão e conversem. E oiçam. E partilhem!

Daniela

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nós e a televisão

Cá por casa todos gostamos de ver televisão, ainda que a Leonor só há pouco tenha começado a mostrar interesse.

No entanto, no dia-a-dia não vemos grande coisa. Como em todas as casas, parte do tempo ao fim do dia é gasto entre preparar jantares, banhos, orientar roupas e mochilas, etc. Por isso, com o tempo que sobra tento fazer atividades do interesse delas e deixo que escolham. Quando pedem para ver televisão, tudo bem. Mas negociamos de imediato quais os desenhos animados (que nesta fase são sempre os Super Wings!!) e o número de episódios. E depois todos vemos. Vemos e comentamos, e rimos e, às vezes, resumimos o episódio.

Não vejo mal nenhum em deixar as crianças verem desenhos animados, desde que não seja de forma descontrolada e sem algum acompanhamento. Quando são muito pequeninas, como as minhas filhas, as crianças precisam de interação para desenvolverem a sua linguagem. Ver televisão por si só é uma atividade unidirecional. Por isso, aqui por casa só temos uma televisão na sala e partilhamos com elas o momento. Se preciso de fazer alguma tarefa prefiro deixá-las deambular pela casa, brincar com os brinquedos (muitas vezes “assaltam” os armários!), pintar ou o que quiserem fazer!

Daniela

Fonte da imagem: canalpanda.pt

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“pipi não!” “popó não!”

A L. tem feito o caminho para a fala no seu ritmo. Sempre foi uma criança muito expressiva. Depressa aprendeu alguns gestos, a apontar, a fazer caretas para diferentes situações, … e desenrascada como só ela, muitas vezes nem perdia tempo a fazer-se entender… procurava logo o que queria e pronto!

Nas tentativas de conversa com a irmã ou nas discussões pelos brinquedos quase sempre lutava pelo que queria!

Sempre foi uma menina observadora! Gosta da interação com o outro e envolve-se nas atividades de forma ativa. Ainda que as palavras só começassem a surgir mais tarde.

Agora, com 24 meses, já constrói frases de 2, 3 ou 4 elementos, como “bebé mana tá umi, xiuuu!” (traduzindo, o bebé da mana está a dormir, xiuuu!), faz comentários, como “tá xujo” ou “Nônô caíu”, acompanhados de expressões faciais que completam o que quer dizer. É deliciosa esta fase. Todos os dias aprende e diz palavras novas. Às vezes até ficamos surpresos porque não temos a certeza se ela queria dizer mesmo aquilo, nem percebemos que já sabia dizer determinada palavra.

Uma das coisas que sempre a cativou, e que ajudou bastante este desenvolvimento, foi uma espécie de jogo das imitações. Quando era mais pequenina eu imitava as expressões faciais dela e ela ria-se e tentava imitar-me. E mantinha-se nesta brincadeira de caretas um bom bocado. Com o tempo comecei a acrescentar à brincadeira sons. Sons de animais. Mais tarde sílabas, que ela tentava imitar na vez dela. “pá pá”, “ti ti”, “mu mu”, … e sempre fizemos isso com alguma melodia associada. Faço eu, faz ela, faço eu, faz ela, …

Agora, como gosta de brincar, já é ela que começa a brincadeira e, quando lhe digo as sequências de sílabas, completa tudo com não. “pipi, não!” “pópó, não!” e ri-se 🙂

Adoro, é uma delícia esta criança!

Daniela

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foto: bethsantosfotografia.com

mais um ano de piratinha

Mais um ano de Piratinha a terminar!

Por estes dias, muitos foram os piratas que se despediram das aventuras do Piratinha até ao próximo ano letivo.

Um ano de aventuras emocionantes que acabou.

Um ano de desafios fonológicos, jogos, histórias, personagens, cenários.

Um ano de piratarias…das boas!

Um ano de tralhas…muitas e muitas! Tralhas que carregamos de um lado para o outro. Tralhas que enchem e entopem os nossos carros (…coitados dos nossos maridos que sofrem ao ver tanta confusão num carro!).

Um ano de imaginação e invenção (…e muitas vezes as ideias surgiram já de madrugada enquanto tratávamos das nossas bebés…cada um na sua casa, claro!).

Um ano de trabalho. Trabalho que nos orgulha e motiva a querer fazer mais.

Mas no fim de contas, o que fica? O que recordam os miúdos? O que valorizam?

“O tesouro e as moedas!”

“O crocodilo!”

“O Tagarela!” (o nosso papagaio!)

“Os jogos!”

“O Rei dos macacos!”

“A bruxa e o caldeirão!”

“O vulcão, que quase explodiu”

“O barco dos piratas maus”

“A Sónia!” “A Daniela” E o que nós gostamos de ser piratas com eles!

….. To be continued… 🙂

Daniela e Sónia

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gritar, só que não!

Esta fase do ano é particularmente difícil para todos! Estou cansada, é um facto! O ano letivo já vai longo, o calor aperta e já só apetece pensar em praia, piscina, parque ou qualquer coisa assim descontraída!

Nesta fase há dias em que a minha paciência já não é a mesma. Eventualmente, costumo esperar mais um pouco, dou mais tempo às miúdas para resolverem os conflitos e tenho mais capacidade para negociar nas situações de desacordo. Há momentos em que consigo ter a lucidez e a distância necessárias para pensar que elas também andam cansadas, que também precisam de descansar da rotina. Que tal como eu, não tiveram férias no natal, páscoa, carnaval ou sei lá!

A verdade é que há momentos em que eu precisava de gritar um bocado mas as miúdas não precisam que grite com elas! De todo.

Não lhes ensino absolutamente nada com isso! Apenas que podemos resolver conflitos emocionais de forma desajustada.

Este é um aspeto que, como mãe, dou muita importância! O crescimento emocional delas! O que é muito difícil, porque além de mães somos muitas outras coisas e debatemo-nos com o nosso próprio crescimento emocional.

Por isso, um dos compromissos que assumi comigo própria é encontrar pequenos momentos em que só cuido de mim, como fazer uma caminhada, ir ao ginásio, tomar café com as amigas ou algo em que tento desligar do mundo por alguns momentos. Além do bem que me faz à saúde, também me faz bem à alma e traz-me paz de espírito. Acho que todas as mães deviam ter um momento diário pessoal. Um momento em que não são mães, companheiras, nem “salvadoras da pátria”. São só pessoas à procura de espaço para si próprias!

Daniela

foto: bethsantosfotografia.com